Acho engraçado como uma viagem consegue mudar nossa perspectiva de vida.
Vinha em um ritmo forte de trabalho, de pensamentos e - sobretudo - de preocupações. Preocupações sobre dinheiro, mestrado, tempo, relacionamento e por aí vai. Nenhuma preocupação fora do padrão para um jovem adulto de 24 anos dos dia de hoje.
Mas tomei a decisão de viajar um pouco antes das férias começarem...
Não tinha certeza se valia a pena viajar: as passagens estão caras e eu tinha "grandes planos" para o tempo livre que iria passar: realizar leituras atrasadas, organizar algumas obras que preciso fazer em casa e tentar economizar alguma grana ficando em casa e vendo séries atrasadas (aliás, estou no aguardo ansiosamente da estreia da segunda temporada de Narcos!). Mas tinha tempo que não viajava: quase um ano direto de Rio de Janeiro!
E assim, me aventurei pelo interior de Minas. (...)
Entre pães de queijos, linguiças especiais, feijão vermelho e muito carinho diretamente das terras mineiras, voltei extremamente feliz e realizado. Continuo com muita coisa pra fazer, como é típico da minha pessoa. Mas me lembrar que o mundo é muito mais que as minhas demandas e meu umbigo me fez diminuir a minha ansiedade.
Na verdade, acho que é essa a grande magia das viagens: nos tirar do nosso cotidiano, dos nossos pensamentos e desejos comuns para lembrar-nos da grandeza do mundo. De como há brilho em outras culturas. De lembrar como somos pequenos nesse mundão e que a vida não precisa ser difícil. Que há beleza em diferentes formas de ver o mundo.
E o interior de Minas tem um quê de especial: aquele jeitinho tranquilo do mineiro de ser, que come quieto, que passa mais tempo na cozinha do que na sala, que valoriza o lanche do café com leite e termina boa parte das histórias com "trem" e "uai".
E recomeço o ano agora: depois dessas férias e olimpíadas, bateria recarregada de subjetividades, carinho familiar e energia para o restante do ano.
